
A decisão da Super GT Brasil de eleger o Gran Turismo 7 como plataforma oficial nunca foi motivada por conveniência ou limitação técnica. Foi uma escolha estratégica, esportiva e ética. Uma escolha baseada em acesso, equilíbrio competitivo e realidade socioeconômica — especialmente no contexto brasileiro.
Ao longo dos últimos anos, essa decisão se mostrou determinante para o crescimento da liga, para a entrada de novos pilotos e para a criação de um ambiente competitivo onde quem vence, vence por habilidade, não por infraestrutura financeira.
PC no sim racing: quando a liberdade vira desigualdade


O PC costuma ser vendido como a “plataforma definitiva” do sim racing. Na teoria, tudo serve em tudo: qualquer volante, qualquer pedal, qualquer monitor, qualquer software. Mas é exatamente aí que o problema começa.
Para que um PC opere em nível competitivo real, não basta ligar o jogo. É necessário:
- Placa gráfica de alto desempenho para manter FPS estável
- Processador topo de linha para evitar stuttering em grids cheios
- Memória rápida e abundante
- Armazenamento veloz
- Sistema de refrigeração robusto
- Múltiplos monitores com suportes específicos
- Cabos em excesso, interfaces, hubs, ajustes constantes
Nada disso é opcional quando se fala em competição. E tudo isso custa caro — muito caro.
Além do investimento financeiro, existe o custo invisível: alto consumo de energia elétrica, grande ocupação de espaço físico, necessidade de ambiente dedicado e, em muitos casos, a impossibilidade prática de desmontar ou mover o setup. Só o fato de uma pessoa ter espaço disponível para esse tipo de estrutura já revela um nível de poder aquisitivo acima da média.
No mundo real, isso cria um cenário claro: o sim racing no PC é estruturalmente elitizado. Ele favorece quem já vem do automobilismo real ou quem pode investir cifras muito acima da realidade da maioria dos brasileiros.
A comparação absurda que virou realidade

O discurso de que “no virtual tudo é igual” simplesmente não se sustenta fora da tela. Na prática, o PC coloca um piloto com estrutura equivalente a um carro de GT3 competindo contra alguém com estrutura de Volkswagen Gol. Não existe BOP de hardware. Não existe limite técnico. Não existe equilíbrio.
De um lado, rigs que ultrapassam R$ 100 mil, com múltiplos monitores, plataformas de movimento, sistemas pneumáticos e gráficos impecáveis. Do outro, um professor ou repositor de mercado com um PC de tela única, GPU e CPU defasadas, um Logitech G923 — que é um bom volante — mas limitado por todo o conjunto ao redor.
O resultado é previsível:
stuttering, delay, quedas de FPS, gráficos comprometidos e perda total de equilíbrio competitivo.
E o pior: todo esse investimento raramente retorna em forma de reconhecimento, premiação ou visibilidade. Campeonatos caros, inscrições altas, prêmios simbólicos, pouco ou nenhum apoio institucional. No fim, sobra frustração até para quem investiu muito — e abandono para quem investiu pouco.
PlayStation 5: padronização, desempenho e justiça esportiva

No PlayStation 5, o cenário muda completamente.
Aqui, o conjunto trabalha a favor do piloto:
- Hardware totalmente padronizado
- Suporte nativo e otimizado
- Sistema plug and play: ligou, pilotou
- FPS estável, sem quedas
- Gráficos constantes, sem redução
- Zero stuttering, zero delay
Não é necessário múltiplos monitores, nem ajustes intermináveis. E para quem busca imersão total, o PlayStation VR2 entrega algo que nenhum setup de monitores consegue replicar: a sensação real de estar dentro do carro.
Com o VR2, o piloto não precisa “se convencer” de nada. Ele simplesmente está lá. Profundidade, distância, ponto de frenagem e posicionamento espacial passam a ser naturais — algo extremamente relevante para pilotagem.
Tudo isso ocupando pouquíssimo espaço, viável para apartamentos e residências comuns, realidade da maioria dos brasileiros.
Comparativo direto de custos (realidade brasileira)
PC setup competitivo para sim racing (nível ideal):
- PC alto desempenho (GPU, CPU, RAM, SSD): R$ 18.000 a R$ 25.000
- 3 monitores + suportes: R$ 6.000 a R$ 10.000
- Cockpit intermediário/avançado: R$ 5.000 a R$ 10.000
- Volante e pedais: R$ 5.000 a R$ 15.000
➡️ Total estimado: R$ 35.000 a R$ 60.000 (sem plataformas de movimento)
PlayStation setup competitivo para Gran Turismo:
- PS5 base: ~R$ 3.500
- Volante intermediário: R$ 2.500 a R$ 4.000
- Cockpit intermediário: R$ 3.000 a R$ 5.000
- PSVR2 (opcional): ~R$ 4.000
➡️ Total estimado: R$ 9.000 a R$ 16.000
A diferença não é pequena. Ela é absurda.
E mesmo com esse investimento muito menor, o PlayStation entrega uma experiência tecnicamente suficiente, esportivamente justa e imersivamente superior.
BOP de hardware: quando a tecnologia trabalha a favor do esporte

No ecossistema do Gran Turismo 7, o equilíbrio competitivo não é consequência — é projeto. Desde a base, tudo foi pensado para funcionar em conjunto de forma nativa, estável e previsível. O jogo, o PlayStation 5 e o PlayStation VR2 não são peças soltas tentando se adaptar umas às outras; eles fazem parte de um mesmo ecossistema desenhado para operar em harmonia.

Essa integração total garante algo raro no sim racing moderno: um verdadeiro BOP de hardware tecnológico. Todos os jogadores partem do mesmo ponto de desempenho. O sistema entrega FPS estável, latência controlada, gráficos consistentes e resposta precisa de force feedback, independentemente de quem está do outro lado da pista. Não há variáveis ocultas, gargalos imprevisíveis ou “vantagens técnicas” mascaradas por configurações.
As diferenças que existem ficam praticamente restritas aos volantes — e mesmo assim, na prática competitiva, o impacto na performance é mínimo. É comum ver disputas intensas entre pilotos usando equipamentos de faixas de preço diferentes, algo que só é possível porque o conjunto como um todo é equilibrado. Ninguém precisa se preocupar com o hardware do adversário. A única variável real passa a ser o piloto.
O PSVR2 reforça ainda mais esse conceito. Ele não é um acessório improvisado nem uma adaptação genérica de realidade virtual. É uma solução criada especificamente para o PlayStation e integrada ao Gran Turismo desde o desenvolvimento. O resultado é uma experiência imersiva precisa, estável e coerente, sem comprometer desempenho ou equilíbrio. Todos que usam o VR estão submetidos às mesmas condições técnicas, sem ganhos artificiais.
Enquanto no PC cada componente precisa “se entender” com dezenas de outros fabricantes, drivers e softwares, no Gran Turismo a equação já vem resolvida. O sistema sabe exatamente qual hardware está sendo usado e entrega o máximo possível dentro de parâmetros iguais para todos.
Isso não limita o esporte — isso protege o esporte.
É a tecnologia deixando de ser vantagem competitiva e passando a ser apenas a base sobre a qual a habilidade, a dedicação e o talento podem realmente decidir quem vence.
Um ecossistema que gera retorno real
As duas grandes referências do Gran Turismo hoje — a Gran Turismo World Series e a Super GT Brasil — compartilham um diferencial raro: campeonatos sem custo de inscrição e com prêmios reais.
No caso da Super GT Brasil, isso se soma a organização, visibilidade, crescimento de pilotos e um ambiente profissional que permite evolução real dentro do sim racing.
Nada disso seria possível em uma plataforma elitizada, cara e excludente como o PC se tornou.
Conclusão: quando tecnologia encontra justiça
O PC pode ser poderoso, mas no sim racing ele se transformou em uma plataforma segregadora. Ele favorece quem tem mais dinheiro, mais espaço e mais infraestrutura — exatamente o oposto do que o esporte deveria representar.
O PlayStation, com Gran Turismo, oferece o equilíbrio ideal entre compatibilidade, desempenho, custo e justiça esportiva. É refinamento, não limitação. É padronização a favor do mérito.
Por isso, a Super GT Brasil escolheu o console.
E por isso, em 2026, essa escolha representará alcance maior, mais pilotos, mais visibilidade e um sim racing verdadeiramente acessível.
No fim, a pergunta não é qual plataforma é mais poderosa.
É qual delas é mais justa.






